segunda-feira, 11 de abril de 2011

Por onde anda aquela menina?

Hoje senti muita saudade daquela garota. O som da sua risada me acordou de um pesadelo triste. Lembro do seu sorriso doce, do seu coração inteiro sem mágoas, onde as feridas eram fáceis de se curar.
Lembro até daquelas lágrimas que escorriam dos seus olhos, quando a vida não era do jeitinho que ela queria. Lembrei daquele friozinho no peito quando ela se apaixonou pela primeira vez. Ela era tão indefesa, tão sonhadora. Não sabia que o verdadeiro amor seria o último e não o primeiro.

Lembro de quanto amou sua primeira bicicleta nas cores amarelo e vermelho, e quanto foi desafiador tirar aquelas rodinhas pra conseguir se virar sozinha, sem apoio. Mas sabia que mesmo que tirasse as rodinhas, as mãos de seus pais estariam ali pra segurar. Então pediu a eles que a deixassem um pouco, o primeiro tombo a machucou, mas só assim ela se sentiu tentada a continuar, o segundo tombo a fez aprender. Saiu andando sozinha e sem medo. Ela agradeceu aos pais por terem a deixado aprender, e disse que sabia que quando estivesse cansada, as mãos deles ainda estariam lá pra segurar.

Senti saudade da sua falta de medo e de seus excessos de sonhos. Aquela menina que nem sabia que existiam pessoas com falta de amor e excesso de maldade.

Lembro de como penteava seus cabelos pretos todas as noites e rezava antes de dormir, pedindo aos seus anjos que cuidassem da sua vida. Lembro dos seus olhos negros brilhando quando ficava feliz.
Lembrei de um dia em que ela ficou a noite toda estudando e rezou antes de fazer a prova. Ficou em dúvida no que realmente importava, se era estudar ou rezar. Mas isso não importava pra ela, não via complexidade nesta idéia. Seu mundo era muito simples.

Senti tanta saudade daquela menina hoje, que ao ouvir o som da sua risada, também me deu vontade de sorrir. Vontade de ser como ela foi, vontade de brincar na terra, de subir em árvore, de correr na fazenda, de pegar peixinhos na roda d'água com a peneira de fazer polvilho da vovó.

Lembrei do dia em que ela descobriu o eco, se gritasse bem alto em cima do morro, ouviria a mesma coisa, duas, três vezes, tinha certeza absoluta de que não poderia ter alguém do outro lado gritando. Mas seria bom ir do outro lado do morro, pra provar isso pra todo mundo.
Lembro de como se divertia com seus primos, brincando na fazenda. Lembrei da sensação incrível que sentiu quando aprendeu a nadar.

Queria perguntar a ela tantas coisas, saber como esqueceu seu primeiro amor, quando deixou de confiar nas pessoas e o motivo de ter deixado de sorrir tanto.
Saber por onde ela andou todo esse tempo, onde foi parar aquela alegria, perguntar quando foi que parou de rir até chorar.
Será que ela ainda lembra dos seus sonhos, no que realmente importava?

São tantas perguntas que quase posso senti-la outra vez.

Agora sei que ela existiu e ainda existe, em um cantinho perdido aqui dentro de mim.
Eu a encontrarei!
Agora sei como buscar, porque posso até sentir seu cheiro e o som da sua voz.

4 comentários:

  1. Vinícius11.4.11

    Nanda...que lindo texto você redigiu! Maravilhoso!

    As vezes tenho esses pensamentos nostalgicos, são muito bons. Eu aprendo algumas coisas com eles...

    Estou na mesma sintonia que você, e acredito que estamos no caminho certo...

    Continua escrevendo assim, me faz muito bem ler!

    Te amoooo!

    Beijos!

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  2. Obrigada Vi, são amigos como você que me fazem lembrar daquela garota.
    Amo muito! bjo

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  3. Ela me acompanha sempre, sua presença é eterna e quando não a sinto, chamo por ela.

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  4. Anônimo4.6.13

    muitooooooooooooooooooooooo legal,continua assim tá!!!!!!!!

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