quinta-feira, 28 de abril de 2011

A culpa é do perfume

O motivo pra manter a distância é o perfume. 
Pra conseguir controlar sentimentos impetuosos e compulsivos, é preciso se manter distância OU não ter olfato.
Isso porque é difícil conviver com a lembrança do cheiro.
Eita lembrança que acaba com o raciocínio! Tira a capacidade de ver a lógica, acaba com a segurança do estável!
Disseram que é preciso aprender a viver momentos que não voltarão. É preciso aprender a se desapegar de atos no tempo. 
Até aprenderia.... se não fosse o perfume!
Esse sim, destrói o novo aprendizado. Sai do travesseiro e invade os sonhos, sai da roupa e descontrola os sentidos. 
O certo é esquecer? Então não lança esse perfume no meu corpo!
Ou lança o perfume e fica! 
Mas se é pra seguir a cartilha do desapego, então é preciso manter uma certa distância do cheiro. Quem tem a alma intensa e o coração tranquilo, não sabe se afastar daquilo que o faz sentir, daquilo que o faz ser. 
O que se quer, é respirar fundo esse perfume e deixar que ele penetre e se fixe na pele.
Oh menina, presta atenção e não esquece.... DESAPEGO! É preciso ouvir a voz do mundo real : "não se apegue!"
É assim que tem que ser?
Então preciso lançar longe o contato com seu perfume, assim posso controlar o querer, assim posso fechar os olhos e não sentir os seus, tão intensos em mim. Ficando longe do seu cheiro, posso nem lembrar da força das suas mãos.
O perfume é pra mim, o mesmo que o trigo é pra raposa.

"Vês, lá longe, os campos de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim é inútil. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelos cor de ouro. Então será maravilhoso quando me tiveres cativado. O trigo, que é dourado, fará lembrar-me de ti. E eu amarei o barulho do vento no trigo..."
 
O perfume é inútil antes de você, mas depois que me cativou, é o que me faz lembrar do seu sorriso, da sua voz, dos seus trejeitos.
Afastarei então seu perfume dos meus sentidos. É ele que levará a culpa.
Mas não agora. Hoje ele ainda está exalando no meu querer!


segunda-feira, 11 de abril de 2011

Por onde anda aquela menina?

Hoje senti muita saudade daquela garota. O som da sua risada me acordou de um pesadelo triste. Lembro do seu sorriso doce, do seu coração inteiro sem mágoas, onde as feridas eram fáceis de se curar.
Lembro até daquelas lágrimas que escorriam dos seus olhos, quando a vida não era do jeitinho que ela queria. Lembrei daquele friozinho no peito quando ela se apaixonou pela primeira vez. Ela era tão indefesa, tão sonhadora. Não sabia que o verdadeiro amor seria o último e não o primeiro.

Lembro de quanto amou sua primeira bicicleta nas cores amarelo e vermelho, e quanto foi desafiador tirar aquelas rodinhas pra conseguir se virar sozinha, sem apoio. Mas sabia que mesmo que tirasse as rodinhas, as mãos de seus pais estariam ali pra segurar. Então pediu a eles que a deixassem um pouco, o primeiro tombo a machucou, mas só assim ela se sentiu tentada a continuar, o segundo tombo a fez aprender. Saiu andando sozinha e sem medo. Ela agradeceu aos pais por terem a deixado aprender, e disse que sabia que quando estivesse cansada, as mãos deles ainda estariam lá pra segurar.

Senti saudade da sua falta de medo e de seus excessos de sonhos. Aquela menina que nem sabia que existiam pessoas com falta de amor e excesso de maldade.

Lembro de como penteava seus cabelos pretos todas as noites e rezava antes de dormir, pedindo aos seus anjos que cuidassem da sua vida. Lembro dos seus olhos negros brilhando quando ficava feliz.
Lembrei de um dia em que ela ficou a noite toda estudando e rezou antes de fazer a prova. Ficou em dúvida no que realmente importava, se era estudar ou rezar. Mas isso não importava pra ela, não via complexidade nesta idéia. Seu mundo era muito simples.

Senti tanta saudade daquela menina hoje, que ao ouvir o som da sua risada, também me deu vontade de sorrir. Vontade de ser como ela foi, vontade de brincar na terra, de subir em árvore, de correr na fazenda, de pegar peixinhos na roda d'água com a peneira de fazer polvilho da vovó.

Lembrei do dia em que ela descobriu o eco, se gritasse bem alto em cima do morro, ouviria a mesma coisa, duas, três vezes, tinha certeza absoluta de que não poderia ter alguém do outro lado gritando. Mas seria bom ir do outro lado do morro, pra provar isso pra todo mundo.
Lembro de como se divertia com seus primos, brincando na fazenda. Lembrei da sensação incrível que sentiu quando aprendeu a nadar.

Queria perguntar a ela tantas coisas, saber como esqueceu seu primeiro amor, quando deixou de confiar nas pessoas e o motivo de ter deixado de sorrir tanto.
Saber por onde ela andou todo esse tempo, onde foi parar aquela alegria, perguntar quando foi que parou de rir até chorar.
Será que ela ainda lembra dos seus sonhos, no que realmente importava?

São tantas perguntas que quase posso senti-la outra vez.

Agora sei que ela existiu e ainda existe, em um cantinho perdido aqui dentro de mim.
Eu a encontrarei!
Agora sei como buscar, porque posso até sentir seu cheiro e o som da sua voz.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Acasos

Tem várias coisas boas em ter amigos homens, e uma delas é que eles conversam entre si, como se eu também fosse um homem. E por um mero acaso da vida, eu presenciei duas conversas. E por um grande azar de uma delas, eu tenho um blog.
Não farei uma análise das conversas, porque elas dizem por si só. E meus leitores são muito espertos! Ou quase todos!
Tentarei transcrever com fidelidade aquilo que ouvi, ou pelo menos o que consegui anotar no meu bloco de notas.

_ Mano, ontem fiquei com aquela gostosa. Foi massa!! Mandei ver!! Tive que aguentar bruto, porque ela é fogo! 
_ E tem continuação a história ou acabou no capítulo 1?
_ Ah, vai rolar mais uns pegas, mas por enquanto eu vou colocar no forno, depois que pegar a "fulana" e a "ciclana" eu invento qualquer coisa e mando ver outra vez.
_ Mas conta aí... gostosa mesmo?
_ Sensacional! É daquelas que é bom ter na mão pra um lanchinho. Dá até pra trocar uma idéia, mas vou dar uma esfriada nela, pra não achar que vou querer sempre, senão logo fica no pé, e eu to fora disso!

Logo mais tarde, a blogueira aqui que vos fala, encontra a gostosa da conversa acima.

_ Ah amiga, acabei ficando com o "fulano" ontem, tava meio carente. Achei que iria gostar porque ele é tão gente boa, todo mundo diz que ele é um cara bacana, pensei que seria legal ficar com ele.
_ Mas porque essa cara? Tá parecendo que não foi bom. O que foi? Se arrependeu?
_ Ahh, é que eu esperava mais. Você entende, né amiga? rsrs
_Você não gostou?
_ Ah, achei que com aquele corpão todo.... Ahhh, se era pra suprir minha carência não adiantou nada. 
Aff... não sabe fazer nada, muito desajeitado, não dá não! Foi bem decepcionante... em TUDO !!
Vou ficar na minha, depois se ele perguntar porque eu me afastei, vou falar que fiquei com medo de me apaixonar e todas aquelas lorotas. rsrs

Ou seja, quando o bonitão acima quiser abrir o forno pra pegar o lanchinho, não o encontrará mais!