segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Cidadão

Estão construindo um prédio em frente a sacada do meu quarto. E isso me atrapalha a ler, me atrapalha a dormir sábado de manhã, e sem falar que meu despertador matinal tem sido o grito de pedreiros.
Mas hoje, estava fazendo um trabalho importante, precisava muito de concentração. E, mentalmente, comecei a maldizer cada um daqueles homens. Houve um silêncio por um minuto.
Logo em seguida, um deles começou a cantar "Cidadão" do Zé Geraldo, isso foi como um tapa na minha cara.
Comecei a chorar, talvez porque ando emotiva ou talvez porque quase tudo me faça chorar, mas isso não anula a poesia viva daquela cena.
Abri a porta da sacada para ouvir melhor, e ele cantou toda música, verso por verso. E em cada um deles, eu pensava que injusta que fui, eles estão trabalhando, apenas.
O som do trabalho deles, irá continuar me atrapalhando, mas agora vou me lembrar que, também, as melhores músicas, os melhores quadros, a melhor poesia, os melhores sentimentos, são aqueles que nos incomodam, aqueles que nos fazem aprender.
Assim é viver!
É ser provocado pela vida e continuar crescendo, continuar se apaixonando.
Porque triste e incômodo, é não se permitir sentir.

"Foi lá que Cristo me disse:
_ Rapaz, deixe de tolice, não se deixe amedrontar!"



Enquanto espera

De forma alguma ela queria desrespeitar a vontade dele ou a decisão de se afastar, ela o respeitava muito, mas queria que ele também fizesse o mesmo e desse atenção para o que ela estava sentindo.
Ela não queria resposta. Não esperava e nem precisava delas, só precisava falar o que sentia, não precisava de nada em troca.
Sabia que estava sendo evasiva pelas normas sociais. Em outro caso, já teria o tirado da cabeça e do coração, e nem sequer pensaria em se humilhar desta forma, insistindo em falar dos seus sentimentos. Usaria o seu orgulho e jamais voltaria a procurá-lo. Mas ela não tem orgulho quando se trata de amor. Era diferente de não ter amor próprio, porque ela se amava e lutaria sempre para ser uma pessoa melhor, independente dele.
Também não tinha medo de parecer uma adolescente desesperada, porque realmente ela não se importava. O que importava, é que ele soubesse o que ela estava sentindo.

Ela tentou dormir, e sentiu uma dor em seu coração, e não estava sendo conotativa, era mesmo uma dor física. E percebia que ficava assim todas as vezes que ele se afastava.
No começo, negou. Pensava ser só coincidência. Quando ele se afastou pela primeira vez, ela se sentiu fraca, como se ele tivesse levado embora suas energias. Depois, quando o reencontrou e o abraçou, sentiu seu coração pulsando junto ao dela, era como se todas as energias tivessem voltado.
E que sensação linda ela sentia estando ao seu lado!
Era como se ela tivesse sentido aquela saudade por toda uma vida. Mesmo percebendo que para ele, não estava sendo exatamente assim. Ele continuava distante.
Ela acreditava que haveria um momento em que ele quebraria aquela barreira e iria se permitir sentir, apenas sentir. Sem tentar entender.

Sentia que, realmente, era dele o seu amor. Em todas as vezes que ela se envolvia com alguém, continuava sentindo um grande vazio, e mesmo estando envolvida, sempre faltava algo. Só não imaginava que esse vazio seria tão bem ocupado por ele.
Ela admirava os seus ideais, admirava a sua inteligência, o seu caráter, porque sabia que apesar de agir daquele jeito, não havia maldade.
Era capaz de senti-lo com toda sua alma, sentia seu coração vibrar.
Ela tinha certeza dos seus sentimentos, mas sabia da necessidade de ser recíproco. Logo, se não era, não entendia porque o universo queria que assim fosse, mas estava pronta, estava pronta pra viver esse sentimento.

Ela pedia que ele não escolhesse ficar longe dela, que todas as energias ruins fossem anuladas por energias positivas, e que a pureza do que ela sentia superasse os tempos ruins. Ela não precisava de nenhuma recompensa, apenas queria sua presença.
A sua ausência a causava demasiada dor.
E assim, ela continuaria com o seu ser, totalmente, nele.


sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

História de Quinta

Era uma quinta-feira que de tão linda e carregada de emoções, trouxe outra com ela. E por querer tanto existir, trouxe mais uma doce quinta-feira. Porém, de tão medrosa que era, não trouxe mais nada.
Perdeu-se antes da quarta e não sobreviveu a quinta.
Assim, sem mais nenhuma quinta-feira, não aconteceu um sábado, não existiu um mês e nem um ano.
E sem sentimentos, sem verdades ou mentiras, nem saberia dizer como aquela quinta-feira começou essa história.
Logo, inventou-se uma.
O problema é que qualquer história sem memórias, acabaria se tornando uma história de quinta.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Inconstância

Sinto se esvaindo e dói.
O perfume que ficou aqui, não se foi.
As palavras que ouvi, ainda as escuto.
Vejo a verdade confusa nos olhos.
E o que ficou na memória, machuca.

Queria, talvez, que voltasse.
Mas o talvez é muito pouco
Pra um mundo que existe o amor.

E o que entrego de todos aqueles dias
São apenas 71 palavras
E algumas lembranças bobas
Que, talvez, me façam sorrir.
Talvez!